Uma praga em Praga

Viajávamos em duas famílias: nós, paulistas, e outra família potiguar, de Natal.
O destino era uma das mais belas cidades da Europa – Praga.
Chegamos a um camping situado na periferia da cidade e nos acomodamos para um breve e merecido descanso.
Começou a escurecer e então resolvemos prestigiar o restaurante do próprio camping, deixando as aventuras exploratórias das belezas de Praga para o dia seguinte.
Uma simpática atendente então nos trouxe o menu. Aí começou o problema: o menu estava escrito em tcheco e em alemão! E nós, fluentes em português, razoáveis em francês e arriscando um inglês quebra-galho.
O impasse continuava: a criançada esfomeada pressionava para comer qualquer coisa; a atendente não sabia o que fazer e só arregalava seus belos olhos azuis.
Não havia na época um tradutor tcheco-português. O que fazer? Então decidi improvisar…a vida é a arte do improviso, não é?
Indiquei no cardápio a palavra “prase” e imitei o som de uma galinha “cócócó”? A atendente balançou negativamente a cabeça e indicou “ku?e“ – pois esse era o nome tcheco para o frango!
E “prase“ era porco! E “muuuhh“?….Era “mase“! Pronto. Já podíamos pedir as refeições. E eram todas muito saborosas.
E para finalizar o jantar, meio na forma de gestos, conseguimos a informação com a atendente onde se poderia comprar cristais mais baratos na região.
Essa história depois correu na roda de brasileiros que eram nossos amigos em Nancy, França. Mas, meu colega – o irreverente Duda, inventou mais uma etapa. Disse que o Beraldo (eu), ao desejar comer um “lagarto”, começou a se arrastar pelo chão do restaurante.
Pois é. Quem tem boca vai a Roma (ou ao dentista). E quem sabe improvisar não passa fome.