Conto Tonto

O garotinho foi dormir meio ressabiado. Ainda era muito cedo, mas sua mãe lhe disse para dormir, pois, ao acordar teria uma surpresa. Ele ficou muito desconfiado: agarrado ao seu cachorrinho de pelúcia Totó, ele logo fechou os olhos, fingindo estar dormindo mas sua mente estava muito alerta.
Que estranho – seus pais começaram a cochichar na cozinha e ele, com sua parabólica natural, se esforçava para ouvir de qual assunto se tratava. Algumas frases soltas parece que diziam coisas terríveis: “tratamos dele até agora e já está no momento de abatê-lo, pois está bem gordinho”. Desgraçados… querem me sacrificar, pensou ele.
E o papo assustador continuava: “irei estrear minha faca nova, super afiada”, ouviu ele na voz de seu pai. E continuava… ”um golpe fatal no pescoço, e já era…”. Pior ainda é que não ouvia a voz de sua querida mãe, mas, com certeza, ela era cúmplice desse crime iminente.
E a tragédia caminhava para sua apoteose: “no forno bem alto, a pele dele ficará sequinha”, comentavam os autores desse tenebroso infanticídio. Malditos, se desesperou o pobre garoto..ainda querem me comer bem tostadinho. Irei espalhar xixi pela própria pele, pois pelo menos eles irão se arrepender do que fizeram comigo.
Os chips de seu cérebro estavam processando em alta velocidade. Mas, o que fazer quando seus algozes são seus próprios progenitores. E então, adormeceu…
Acordou assustado e quando viu os rostos de seus até então amados pais, começou a soluçar:
“Me poupem…prometo estudar muito daqui pra frente, sempre irei arrumar meu quarto e nunca mais responderei a vocês”. Me poupem, por favor! Não quero ser assado e comido por vocês, seus canibais!
Os pais então começaram a gargalhar e disseram: querido filho… você teve um pesadelo. Hoje é véspera do Natal. Limpe o xixi da pele, ponha uma roupinha bonita e desça para a nossa ceia: hoje teremos um peru assado, que seu pai criou no quintal, lembra-se?