Entre suas obras artísticas sobressaem um busto do Presidente Prudente de Moraes, ainda em poder da família, e um perfil da Virgem Maria, a quem dedicou sempre afeto e veneração. Sua vida como cidadão andreense teve início em 1914, ao abrir na Rua Cel. Oliveira Lima a sua primeira oficina de entalhes. Com seu entusiasmo e sua mão de artista, bem depressa cativou a amizade de todos, trabalhando para as firmas de móveis que, na época, eram inúmeras, desde a Estação de Santo André até a então Vila de São Bernardo. Desde essa época ficou conhecido como “João, o entalhador”. Devido ao muito trabalho que tinha, contratou serviços com profissionais, tendo ainda sob sua orientação alunos, aos quais ministrava aulas de entalhe e desenho. Casou-se em 1916 com Maria Fiorentini, que lhe deu 9 filhos, dos quais 8 ainda estão vivos. Atendendo a solicitação do Sr. Prefeito Saladino Cardoso Franco, abriu, em 1918, ainda na Rua Cel. Oliveira Lima, a primeira livraria e papelaria da cidade, com o nome de “Bazar Odila”. Como incentivo foi lhe concedida a isenção de imposto. Em 1936, mudou sua residência e a casa comercial para a mesma rua, forçando a abertura de uma nova rua: Monte Casseros, onde permaneceu com o nome de Bazar Belletato, até 1965, quando foi substituído pelo edifício que leva seu nome: Edifício Belletato. Embora sem instrução académica, foi sempre um amante da cultura e um autodidata. Procurou incentivar a instalação de escolas na cidade, evitando que os filhos de Santo André continuassem na ignorância e no analfabetismo. Diante deste ideal, e com auxílio de amigos, conseguiu, em 1924, trazer um professor italiano, que ensinava as primeiras letras. As custas de serviço profissional e o aluguel da sala eram rateados entre eles. Ainda com sua contribuição e trabalho, em 1925 teve a imensa satisfação de ver lançada a pedra fundamental do Asilo Padre Luiz Capra, atualmente Instituto Coração de Jesus, por onde, em 1927, ano de sua inauguração, passaram os filhos das melhores e mais tradicionais famílias da cidade. Em 1926, a convite de amigos, tornou-se sócio efetivo, exercendo por várias vezes o cargo de Presidente da Sociedade Italiana de Mútuo Socorro Savóia, depois denominada de Sociedade de Mútuo Socorro Santo André, em homenagem à cidade que os acolhia. Fundada em 1900, tinha como finalidade o atendimento médico e social dos operários e carentes de recursos. Foi o primeiro serviço social da cidade. João Belletato foi um dos fundadores da Sociedade Cristóvão Colombo, também de assistência aos necessitados. Colaborou na construção da Igreja Nossa Senhora do Carmo, atual Catedral do Carmo, sempre fazendo parte das comissões or ganizadoras e das Associações religiosas. Seguindo sempre os ditames do seu coração, generoso como sempre foi, tornouse sócio da Sociedade São Vicente de Paulo, de assistência e orientação aos pobres do município, a quem se dedicou de corpo e alma até o final de seus dias. Com a vida dedicada exclusivamente ao aspecto espiritual, e com muita fé, dedicou-se totalmente à família, património que hoje é desfrutado por seus descendentes, ao ponto que todas as vezes é citado seu nome, como exemplo de uma coletividade. João Belletato faleceu no dia 28 de dezembro de 1973, deixando indeléveis recordações a todos os que o conheceram e souberam avaliar seus trabalhos e sacrifícios em prol da cidade que ele praticamente viu nascer e crescer. Honrando o nome de João Belletato, estão seus filhos: Odila, religiosa. Maria Clélia, viúva do ex-prefeito Bruno José Daniel, sendo os pais do atual prefeito. Celso Daniel. Wanda, casou-se com António Soares de Oliveira. Lídia, casou-se com Francisco Fonseca. Arnaldo, médico oftalmologista, fundador e diretor do Hospital Brasil, casou-se com Wilma Zago Belletato. Luiz, engenheiro eletrônico, funcionário da Prefeitura. Foi casado com Neide Labandeira Belletato (falecida). Em segundas núpcias casou-se com Ana Maria. Florida, solteira, economista, funcionária da Prefeitura. O nome de João Belletato está perpetuado em uma rua da cidade, em decorrência da homenagem prestada pelo Legislativo, através do vereador Afonso M. Zamei.
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